Heráldica

O primeiro selo conhecido de uma imagem da cidade do Porto

Aparece num documento de 1354, citado e fotografado por José Gonçalves Coelho no «Tripeiro» de 10 de Dezembro de 1908 num artigo publicado em França , em versão portuguesa
Neste selo a Virgem com o Menino é representada sobre a porta da muralha e entre duas torres com a legenda SIG+CIVITATIS+VIRGINIS+PORTUGLIS










A Virgem de Vandoma

Imagem de N.ª S.ª de Vandoma do século XIV.
O culto da Virgem de Vandoma  baseia- se na lenda de D. Onego, prelado de Vendome que com a cidade sitiada por mouros  os terá vindo combater, e, vitorioso, colocou a imagem da Virgem da Vandoma na principal porta da muralha dedicando assim a  cidade a esta, dando assim origem às armas do Porto.










O Foral Manuelino à cidade do Porto de 20 de Junho de 1517.
















Portada de Os Privilégios dos Cidadãos da cidade do Porto

editados pela Câmara em 1611
O selo da Câmara aparece numa xilogravura, com a Virgem ladeada por duas torres quadrangulares e a legenda SIG:CIVITATIS:VIRGINIS:PORTUGLIS












Manuscrito n.º 432 da Biblioteca Municipal do Porto

Copiado do livro de brasões de D. Duarte 1612 – in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929














Desenho à pena da “Arte de Armaria, e Brazões de Cidades e Vilas de Portugal”


Atribuído ao século XVII – BMP - in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929
Do mesmo modo a Virgem está representada dentro de uma moldura ladeada por duas torres quadradas que assentam na muralha.



Capa da Relaçaõ dos Festivos Applausos 1728
















Gravura do século XVIII em cobre do Corpo Municipal de Bombeiros 

in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929
A Virgem que está ladeada por duas torres com cobertura cónica e pelos instrumentos de combate a incêndios da época.







Gravura em cobre com as armas da cidade que encima a portada de um sermonário de 1735



impresso no Porto in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929
A Virgem coroada está ladeada por duas torres hexagonais encimadas pelas armas reais e pela esfera armilar.
Na parte superior um fita onde está inscrita CIVITAS.VIRGINIS

As Invasões Francesas














As gravuras relativas aos acontecimentos de 29 de Março e 12 de Maio de 1809, de José Teixeira Barreto gravada por Raimundo Joaquim da Costa.
Dedicado ao Ilmo. e Exmo. Senhor NICOLAO TRANT Governador da Cidade do Porto e Commandante da guarnição da mesma.
A Cidade do Porto, pobremente vestida e consternada entre cadêas, recusa aceitar a mortifera bandeira que a França lhe intenta fazer tomar, privando-a cruelmente das suas antigas Armas, e das do seu Reino.
O Douro esconde a face, horrorizado ao ver as suas margens juncadas de cadáveres.
Em distancia se vê parte da ponte coberta de povo que fugindo a tantos males vem a ser victima dos bárbaros Francezes.
O  Signo
 que no Ceo apparece denota a época desta catástrofe (29 de Março 1809)




Dedicada ao Ilmo. e Exmo. Senhor NICOLAO TRANT Governador da Cidade do Porto e Commandante da guarnição da mesma.
A Cidade do Porto, d'entre as suas ruínas, he levantada pela Inglaterra e Lusitânia, dando-lhe aquella as suas antigas Armas, e mostrando-lhe esta o victorioso Exercito Britânico que, acompanhado da Victoria vem a resgatá-la.
O Douro, mudando o pranto em gosto, se admira e pasma.
Ao longe se vê o fogo com que os inglezes, batendo os Francezes rapidam.te passão o rio; ao mesmo tempo que os habitantes exultando sahem a recebe-los.
O
Signo celeste mostra a época deste feliz sucesso. (12 de Maio 1809)
As Armas do Porto no estandarte estão simplificadas representando a Virgem ao centro rodeada por duas torres.


Armas do Porto na Planta Redonda 1813

Consequência da vitória sobre os Franceses e do papel desempenhado pela cidade do Porto quando da pri­meira invasão francesa em 1807 e erguendo o «grito da independência» em 1808, por uma carta régia do príncipe D. João (futuro D. João VI) de 13 de Maio de 1813, foram acrescentados às suas armas dois braços armados em cima das torres, um erguendo uma espada «enramada de louro», outro um estandarte com as «armas reaes».
A Virgem assenta na muralha por sobre a porta que dá para o rio. Os braços da bandeira e da espada aparecem numa posição invertida.



Xilogravura da “Oração Gratulatória, Recitada na Santa Sé Cathedral do Porto, em 27 de novembro de 1825

no solemne Te-Deum, que fez celebrar o Ill.mo Senado da Camara da mesma cidade, em Acção de Graças por ocasião da carta de lei, em que S.M.F. se dignou assumir o título de Imperador, por Inácio José de Macedo, etc. – Porto 1825 - in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929
Cunho de ferro representando as armas da cidade de harmonia com a carta régia de 1813.- in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929
As torres de planta circular e com cúpulas são rematadas pelas armas reais e esfera armilar donde saem os braços armados.
A Virgem a sobre nuvens encima a porta da muralha. A legenda CIVITAS VIRGINIS e na orla CAMARA CONSTITUCIONAL






Gravura .- in Mattos, Armando de – As Armas do Porto Porto 1929

Gravura com a Virgem irradiante assente entre nuvens entre as duas portas. A legenda Civitas Virginis aparece na parte superior.













Os Paços do Concelho na Praça Nova

Quando em 1818 a Câmara se instalou neste edifício modificou a fachada encimando a fachada de um frontão onde foi colocada uma pedra de Armas e Brasão da cidade e uma estátua do Porto.


Joaquim Cardoso Villanova – Casa da Câmara 1833

Pedra de armas do antigo edifício da Câmara na Praça Nova. Na legenda apenas CIVITAS.
O edifício foi coroado por uma estátua de um guerreiro representando o Porto,
A estátua é de João Silva como o atesta o documento referido por Magalhães Basto:"... e por ele, João da Silva Mestre Pedreiro, morador na freguesia de Pedrozo, foi dito se obrigava a fazer hua figura de pedra, representado o Porto, para ser prostada (sic) no cume da caza do Passo do Concelho, sito na Praça Nova, pela quantia de tresentos quarenta e três mil e duzentos reis, em metal, pagos em três pagamentos iguais sendo o primeiro adiantado e os demais consecutivos no principio de cada um dos três meses da data em que se obriga a dar a dita figura pronta e posta no dito logar, mandando esta ilustríssima Câmara dar-lhe madeira para as pranchas e xaciamento para xaciar a figura quando houver de s guindar e para maior sigurança desta sua obrigação apresentoi como fiador e principal pagador a Francisco José de Moura Almeida Coutinho, morador aos Lavadouros..."

No escudo um brasão possivelmente dos inícios do século XIX, com uma cidade rodeada de muralhas que encosta ao rio.

O Cerco do Porto e as novas Armas do Porto


Após o Cerco do Porto e a morte de D. Pedro IV por um decreto redigido por Almeida Garrett e promulgado por Passos Manuel e D. Maria II de 14 de Janeiro de 1837, são alteradas as Armas do Porto:
“Presidente e vereadores da camara municipal da antiga, muito nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto: Eu a rainha vos envio muito saudar, e por vós a todos os cidadãos da vossa heroica cidade, como aquelles que sobre todos muito amo.
Amigos: porquanto meu augusto pae, de saudosa memoria, com o precioso legado do seu coração deixou satisfeita a divida em que ambos estavamos a uma cidade que é o generoso berço d'esta monarchia, e que havendo dado o nome a Portugal, tantas vezes o tem rehabilitado à face do mundo, e restituido á primitiva gloria e explendor da sua origem; e não me sendo possível juntar nada áquelle grande testimunho com o que o libertador de Portugal, assim firmou a memoria do seu agradecimento, como a dos serviços da mais illustre das cidades portuguezas, a qual já pela admiração das gentes é justamente appellidada eterna; quis eu, todavia, como rainha de Portugal e como filha do Sr. D. Pedro IV, consignar pelo modo mais authentico e solemne, e dar toda a perpectuidade que em coisas humanas cabe, áquelle inapreciavel documento da gratidão real; e para este fim, houve por bem, em decreto d'esta data, determinar o seguinte:
1º - Para memoria de que a cidade do Porto bem mereceu da patria e do principe, serão as suas armas um escudo aquartellado, tendo no primeiro quartel as armas reaes de Portugal; no segundo as antigas armas da mesma cidade, e assim os contrarios; e sobretudo, por honra, e em recordação do legado precioso que de meu augusto pae recebeu, um escudete vermelho com um coração de oiro: coroa ducal; e por timbre um dragão negro das antigas armas dos senhores reis d'estes reinos; com a tenção em letras de oiro sobre fita azul - Invicta: - e em roda do escudo a insignia e collar da gran-cruz da antiga e muito nobre ordem da Torre e Espada, do valor, lealdade e merito.
2º - Aos títulos de antiga, muito nobre e leal se acrescentará o de Invicta: - e assim será designada: - A antiga, muito nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto.
3º - O segundo filho ou filha dos senhores d'estes reinos tomará sempre o título de duque ou duqueza do Porto.
4º - Fica por este modo ampliado o disposto no decreto de 4 de Abril de 1833 e carta regia de 13 de Maio de 1813.
O que me pareceu participar-vos para vossa intelligencia e satisfação.
Escrito no Palácio das Necessidades, assinavam-no a Rainha e o 1º Ministro, Passos Manuel.
(…)”um escudo aquartellado, tendo no primeiro quartel as armas reaes de Portugal; as armas reais são compostas por sete castelos e cinco quinas, tendo cada uma cinco besantes no interior ;
(…) “no segundo as antigas armas da mesma cidade, e assim os contrarios…” As do Porto são a Virgem segurando o Menino, ladeados por duas torres.
No centro sobre o ponto onde se unem os quatro quartéis,(…) “e sobretudo, por honra, e em recordação do legado precioso que de meu augusto pae recebeu, um escudete vermelho com um coração de oiro…” um coração, que representa o precioso legado que D. Pedro IV (pai de D. Maria II) deixou à cidade como forma de reconhecimento pela coragem e lealdade dos seus habitantes - segundo a sua vontade, o seu coração encontra-se guardado numa urna de prata na Igreja da Lapa.













Sobre o escudo está a ”Coroa Ducal;”

O dragão não é tradicionalmente utilizado nas armas reais portuguesas. O culto por S. Miguel parece ter sido introduzido em Portugal pelos cruzados ingleses que auxiliaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa, em 1147.
















Armas de D. João I.
















O dragão mantém-se na heráldica monárquica no Brasão dos Duques do Porto (e no dos Duques de Coimbra).
«Havendo-se, em todos os tempos, distinguido a Mui Nobre e Leal Cidade do Porto, pelo seu patriotismo e pela fidelidade e amor aos seus legitimos Soberanos; e havendo em muitas occasiões a mesma cidade sacrificado a tão generosos sentimentos grandes despezas, e corrido os seus habitantes, por causa d'elles corajosamente os maiores riscos; o que a tem feito creadora de muitas honras e distincções, que os Senhores Reis d'estes Reinos, em differentes épocas, lhe tem concedido; - na época presente, excedendo a si mesma, tem dado, por espaço de muitos mezes, á Nação Portugueza e ao Mundo os mais heroicos exemplos de todas as virtudes civicas, do mais vehemente amor pela liberdade e regeneração da Patria, e da mais cordeal adhesão á Causa sagrada dos Direitos de Minha Augusta Filha e Senhora D. Maria II : fazendo como tem feito, em serviço de tão justa Causa, um completo abandono de sua tranquilidade, de suas vidas e de sua fazenda, este Povo de heroes tem adquirido para si um dos logares mais distinctos na historia Portugueza, e conquistado invencivelmente a admiração de todos os povos civilisados, para quem o amor da Patria, a fidelidade e a honra são o primeiro dever.
Tomando, pois, em consideração tantos e tão justos motivos, e querendo dar por elles á Mui Nobre e Leal Cidade do Porto uma demonstração publica, que perpetue a lembrança de tão generosos e leaes sacrificios, e que, ao mesmo tempo, sirva de testemunho de reconhecimento pelo amor e adhesão, que tem mostrado á Pessoa de Minha Augusta Filha, e á Minha:
Hei por bem, em Nome da mesma Augusta Senhora, Decretar que, de ora em diante, o Segundo Filho ou Filha dos Senhores Reis d'estes Reinos, tome o Titulo de Duque, ou Duqueza do Porto; Titulo que Eu para fazer honra aos nobres Portuenses, já quando Minha Augusta Filha sahiu da Côrte do Rio de Janeiro, para vir pela primeira vez á Europa, Mandei que Ella tomasse ; em consequencia de tão honrosa mercê, concedida a esta illustre Cidade, o Escudo de Armas da Camara Municipal d'ella será ornado com uma Corôa Ducal ; e em honra da coragem e devoção civica dos seus habitantes, será o mesmo Escudo accrescentado com a Insignia da Gran Cruz da Antiga e Muito Nobre Ordem da Torre e Espada do Valor Lealdade e Merito, servindo o Colar de orla ao mesmo Escudo, e tendo pendente a Medalha ; tudo na fórma do desenho, que baixa com o presente Decreto.
O Ministro e Secretario de Estado dos Negócios do Reino o tenha assim entendido, e expessa os despachos necessarios. Paço no Porto, em 4 de Abril de 1833 = D. Pedro, Duque de Bragança = Cândido José Xavier. »




Capa do Código de Posturas Municipaes do Porto, Imprensa Portugueza Porto 1869

Estúdios da Invicta Film, no Carvalhido, Porto nos anos 20.












Na Companhia Invicta Film, L.da




As Actuais Armas da Cidade do Porto

Em 1940, ano de “glorificação” do regime Salazar manda redesenhar as armas e brasões de todos os concelhos e freguesias do País. Em 25 de Abril de 1940, é publicada a Portaria 9513, assinada pelo Ministro do Interior, Mário Pais de Sousa, determinava : …atendendo ao que foi solicitado pela Câmara Municipal do Porto, e tendo em consideração o parecer da comissão de heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses: manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Interior, aprovar, nos termos do § único do artigo 13º do Código Administrativo, a constituição heráldica das armas, selo e bandeira daquele Município que é a seguinte:

Brasão: de azul com um castelo de ouro, constituído por um muro ameado e flanqueado por duas torres ameadas, aberto e iluminado de vermelho, assente num mar de cinco faixas ondeadas, sendo três de prata e duas de verde. Sobre a porta, e assente numa mísula de ouro, a imagem da Virgem com diadema na cabeça segurando o manto, tendo o Menino Jesus ao colo, vestidos de vermelho com manto azul, acompanhados lateral e superiormente por um resplendor que se apoia nas ameias do muro. Em chefe, dois escudos de Portugal antigo. Coroa mural de prata de cinco torres e colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Listel branco com os dizeres "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto" a negro.

















Bandeira: quarteada de oito peças, quatro brancas e quatro verdes. Cordões e borlas de prata e de verde. Haste e lança douradas.

Bandeira 3D  - Powered By Igor Brandão


Selo: circular, tendo no centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal da Cidade do Porto"
Em 1940, com a conivência da CMP, presidida então pelo professor Mendes Correa, e da Associação dos Arqueólogos Portugueses, consegue com argumentos de heráldica, realizar aquilo que nem a própria República havia ousado: apagar das Armas do Porto todas as referência liberais e monárquicas.

Texto e imagens de retirados de :

http://doportoenaoso.blogspot.pt/2010/07/apontamentos-sobre-as-armas-do-porto.html