domingo, 29 de junho de 2014

Resumo Histórico da Cidade do Porto

Foral da cidade atribuído por D. Manuel
Existem várias teorias para a origem do nome Portus Cale:
- Origem nos Callaeci, povos que povoaram a área de Cale
- Origem no nome da Deusa Cailleach ( que significava "Deusa Mãe" ) e venerada pela tribo Callaeci.
- Origem na palavra celta "cala" que significava "abrigo".
- Nome composto pelas palavras Portus ( latino. que significa "porto") e kalós ( grego que significa "belo" )
Certo é que o nome mudou de Portucale para Porto apenas no século XIII, para que não existissem confusões entre o nome do país e o da  cidade.

O primeiro povo nativo conhecido que ocupou o território onde se situa a cidade do Porto, anteriormente a 600 A.C., e que ocupava todo o território  desde a Galiza até ao Algarve foram os "Estrímnios" ( "Oestremni" significaria "povo do extremo ocidente" ).
O poeta romano Rufus Avienu no "Ora Marítima", relata que Oestriminis, habitado pelos Oestrimni desde longos tempos, foram expulsos pela "praga das serpentes".
A invasáo e colonização deste território conhecido pelos gregos como Ophiussa ( que significa Terra das Serpentes ) e a que mais tarde deram o nome de Iberia ( que significava "rio" ), terá sido invadida pelos Saephe ou Ophis (Povo das Serpentes) e pelos Dragani (Povo dos Dragões) junto ao Rio Douro e Rio Tejo, povos Lígures ou proto-celtas.
A tribo dos Draganos, está associadas à Cultura dos Berrões ( este termo usado para designar os porcos não castrados, e estátuas proto-históricas de pedra, esculpidas em relevo com figuras de animais terrestres, como porcos, javalis e touros, em tamanho natural.
O material em que são esculpidas é geralmente de granito,
O vocábulo berrão foi inspirado no termo usado para designar os porcos não castrados, em Portugal os exemplos desse culto encontram- se por exemplo na "Porca de Murça", na estátua de um animal de raça desconhecida em Torre de Dª Chama e em alguns castros transmontanos.
A cidade do Porto, situada numa região dominada por celtas galaicos, e por isso chamada de Gallaecia e que pertencia à Hispânia ( o nome em latim é citado pela 1ª vez pelo poeta Quinto Ênio, em 200 a.C, os Cartagineses mencionavam Span ou Spania que significava  "oculto (país escondido e remoto)", e referida pelos fenícios como I-shphanim (que significava "família" "clã" ), seria  na altura um castro localizado no Morro da Sé povoado por uma tribo de "Gróvios", seguidores do deus Turiaco ( cujo significado era "rei" ou "senhor" devido à raiz "tor" - e que era o Deus celta do Poder ).
Os Gróvios, de origem desconhecida, seriam possivelmente também celtas galaicos, embora, para Pompónio Mela todos os povos do noroeste peninsular eram célticos excepto os Gróvios, assim como para Plínio "o Velho" que os considerava de origem grega.
Após as Guerras Púnicas, os romanos iniciaram a conquista da Hispânia.
Em 137 a.C. os romanos liderados por Perpena um lugar-tenente do cônsul Decimus Junius Brutus enfrentaram e derrotaram numa batalha na margen direita do rio Douro , no alto do morro do Corpo da Guarda (como é actualmente conhecido) um exército de 60000 galaicos, conquistando  a "Cales civitas".
Por esta ser a primeira derrota dos galaicos, Décimo Júnio Bruto tomou o agnome de Gallaicus "conquistador dos galaicos".
Nesta época a "Cales civitas" passou a designar- se Portus Cale, que deu origem ao nome de Portugal.
É fundada a Villa romana de “Campaniana” (Campanhã), onde a Sé é seu grande centro de actividade e o seu ponto estratégico mais importante.
Com as invasões bárbaras e o fim do domínio romano no ano de 409, Alanos, Vândalos, Godos, Suevos, dividem entre si o território conquistado, cabendo aos Suevos a Galécia, na qual se incluía a província de Minius (Minho) ,até ao Durius (Douro), estendendo-se ate ao Tejo, abaixo destes ficaram os Visigodos e os Alanos ocupam a Lusitânia.
O rei suevo Hermenerico, manda extender os muros do castelo, que havia fundado no morro da Pena Ventosa (actualmente o lugar da Sé), e constrói casas para as suas tropas.
Em 417, O burgo adquire o estatuto de "civitas" ( cidade ), torna- se Sede Episcopal Sueva, e toma o nome de Cale Castrum Novum.
Em 585 Andeca, último rei suevo é vencido por Leovigildo rei visigodo, cujos sucessores cunharam moeda com a legenda Portucale e aqui dominam até 716, altura em que a cidade é invadida pelo exército mouro comandado por Abd al-Aziz.
Em 868, Vímara Peres, guerreiro galego,vassalo de Afonso III das Astúrias é enviado para restaurar o Vale do Douro. Auxiliado por guerreiros da região conquista o território, e, restaura a cidade. Assim. nesse ano Vímara Peres torna- se no primeiro Conde de Portucale. Vímara Peres funda o burgo fortificado de Vimaranis, que por evolução fonética, se tornou Guimarães, vindo aí a falecer em 873.
Vímara Peres

O seu filho, Lucídio Vimaranes sucedeu-lhe como 2º conde de Portuscale instituindo-se assim uma dinastia condal que governaria a
região até 1071.
Em 920 o califa Abderrahman II cerca a cidade do Porto com um poderoso exército, o rei Ordonho II, genro do Conde Hermenegildo
Gutierres, vem em seu socorro, afastando o exército mouro para uma localidade junto a um rio, onde se deu uma batalha tão feroz, que
de tanto sangue derramado, deixou as águas do rio tingidas de sangue. Esse rio passou a chamar- se Rio Tinto e deu nome ao sitio onde
se localiza. Actualmente na Estação de Caminho de Ferro de Rio Tinto, existe um painel de azulejos a memorizar esta batalha.
Em 924 o califa Abderrahman II anteriormente derrotado na batalha de Rio Tinto, cerca a cidade. e assalta- a. As muralhas são
arrasadas, e o burgo dizimado.
Em 998, nas ruínas do Porto encontravam- se asilados  D. Munio Viegas de Riba-Douro, poderoso senhor na comarca de Entre Doiro e
Minho, seu irmão D. Sesnando, e seus filhos D. Egas e D. Garcia Moniz, que resolveram pedir auxiio na gasconha no combate contra os
mouros.
Em 999 D. Munio e seus irmãos têm à disposição uma Armada liderada por fidalgos Gascoes, entre os quais se encontrava D. Nónego Bispo
de Vendôme em França e mais tarde bispo do Porto, que como bispo tinha à sua disposição grande poder de recrutemento.
Esta Armada que mais tarde viria a ser conhecida pela Armada dos Gascões entra pela foz do Rio Douro e juntamente com D. Munio apoderam-se do Porto, depois de uma vitória sobre os sarracenos travada onde hoje é a praça da Batalha. A vitória foi dedicada à Virgem e memorizada com a construção de uma capelinha neste local.
D. Munio e os franceses restauram as antigas muralhas, e na parte mais elevada da cidade fundam uma Vila bem fortificada que, depois do conde D. Henrique, foi doada aos Bispos para sua habitação. D. Nónego manda construir a torre e a porta principal ao qual lhe dá o nome de Porta da Vandoma, e ergue na fachada da torre um santuário, onde é colocada a imagem de Nossa Senhora do Porto ou da Vandoma.
D. Munio Viegas, seus filhos, e outros fidalgos saem em ataque às forças mouras, e retomam as terras entre o Douro e o Vouga, dando o nome a essas terras de "Terras de Santa Maria" em homenagem a Nª Srª da Vandoma.
Em 1071, Nuno Mendes, conde de Portucale, revolta-se contra Garcia II, senhor da Galiza e irmão de Afonso VI, rei de Leão. É derrotado e morto. Garcia II, declara- se Rei de Portugal.
Afonso VI, rei de Leão e de Castela, sofre de ataques mouros e pede auxilio a cruzados franceses, entre os quais D. Henrique de Borgonha. Pela sua contribuição recompensa- o com a doação do Condado Portucalense e de sua filha D. Teresa, em casamento.
Em 1120, D. Teresa doou ao então bispo D. Hugo, o burgo assim como  vários direitos e propriedades reais situadas em volta.
Em 1123 D Hugo e o Prelado concedem à cidade a primeira carta de foral.
Foi lugar de disputas entre burgueses e fidalgos, e assim qualquer fidalgo que aqui viesse só podia permanecer na cidade por três dias.
O fundador da dinastia de Avis, aqui se casou com D. Filipa de Lencastre em 1387.
A partir do século XIV, o Porto tornou- se no principal centro de construção naval do país.
Aqui nasceu o Infante D. Henrique, que daqui partiu com a sua esquadra, para a conquista de Ceuta; nesta altura, o povo forneceu às naus e galeras todo o tipo de carnes, ficando apenas com as tripas dos animais para alimento dos que ficaram na cidade, e, por tal empenhamento, foram os seus naturais alcunhados de "tripeiros".
Novo foral por D. Manuel.
Em 1807, Portugal é invadido pelas tropas francesas que o fazem mais duas vezes em anos seguintes. A corte portuguesa parte para o Brasil e a capital é transferida para o Rio de Janeiro até 1821.
A 29 de Março de 1809 O marechal Soult e as suas tropas entram em Portugal por Chaves, e atacam o Porto de surpresa, os habitantes assustados fogem para a então "Ponte das Barcas", que não resistiu ao peso e cedeu, arrastando os que nela se tinham colocado e morto cerca de 4000 pessoas. A cidade é saqueada.
Este acontecimento ficou registado como " O desastre da Ponte das Barcas" e é recordado através de um memorial colocado onde o desastre aconteceu projectado por Souto Moura.
Em 1826, D. Pedro IV, outorga a Carta Constitucional,os miguelistas lançam o país na guerra civil.
Em 1828, D. Miguel chega ao poder e o Porto revolta-se.
Julho de 1832 / Agosto de 1833 - O Cerco do Porto
Período durante o qual as tropas liberais de D. Pedro estiveram aqui sitiadas pelas forças realistas de D. Miguel.
Após o desembarque no Mindelo, a 9 de Julho de 1832, D. Pedro e o exército libertador entra na cidade no dia seguinte sem oposição, sendo depois aí cercados.
A peste, a fome e a guerra dizimam os habitantes da cidade.
Aqui combateram pelos liberais Almeida Garrett e Alexandre Herculano. entre outros.
No dia 18 de Agosto após a brilhante vitória do Marechal Saldanha os sitiantes levantam o cerco, mas como represália incendeiam os armazéns de vinhos do Porto em Gaia. Perderam- se 17.374 pipas de vinho e 533 pipas de aguardente sendo o prejuízo avaliado em 2500 contos de réis.
Em 1855 é inaugurada a iluminação pública .
Em 1856, a Febre Amarela chega ao Porto, causando a morte a grande número de população.
Em 1899, a cidade é invadida por uma peste bubónica.
O Porto é a Segunda cidade do país e a Capital Regional da Zona Norte.
Foi em 1996, considerada pela UNESCO, como "CIDADE PATRIMONIO MUNDIAL”.
Foi, em 2001, a “CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA”.
O Porto é constituído por 7 freguesias, todas urbanas, e tem uma àrea de  41,42 km² .
A cidade do Porto tem um Clima mediterrânico.  No Inverno as temperaturas variam entre os 3° C e os 14 °C raramente descendo abaixo dos 0 °C.  No Verão as temperaturas variam entre os 15 °C e os 30 °C podendo chegar aos 42 °C.
A cidade do Porto conta com transportes públicos desde 1872, altura em que a Companhia Carril Americano do Porto foi fundada. No ano seguinte é criada a Companhia de Carris de Ferro do Porto. Com a fusão destas duas companhias, surgiu a STCP, Sociedade de Transportes Colectivos do Porto em 1946.
O Porto é a sede e capital da Área Metropolitana do Porto que com 2 089 km² de área é a maior do país.
A cidade foi considerada em 2012 o " melhor destino turístico europeu ".
Pelo facto de nas armas se encontrar a imagem de Nª Srª, o Porto é conhecido pela "CIDADE DA VIRGEM", além claro está de também ser a

"MUI NOBRE, SEMPRE LEAL E INVICTA CIDADE".